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02
Fev13

Desequilíbrio

por sarahatesyou

 

É incrível como os nossos medos e inseguranças nos podem atraiçoar e fazer com que deitemos tudo a perder, com uma simples frase ou um gesto involuntário.

 

Estavam deitados sob o céu escuro e estrelado, no mesmo local onde se tinham cruzado pela primeira vez. As redondezas estavam desertas, o que tornava tudo mais fácil. Fazia frio, mas evitavam a todo o custo tocar-se, ou mesmo olhar-se. Ele estava com a cabeça deitada ao pé da dela, embora os corpos de ambos apontassem para direções diferentes. "Eu sei que não queres e vais evitar a todo o custo falar sobre ele comigo.", principiou. Tentou a todo o custo manter o discurso ao mesmo nível, mas conheciam-se há tempo mais que suficiente para ela notar na pontinha de desdém com que cuspiu 'ele'. "Mas eu tenho que te perguntar isto:" O silêncio dela convidou-o a continuar. "O que é que ele tem que eu não tenho?" questionou em tom algo desesperado.

 

Ela manteve-se em silêncio. Um silêncio prolongado. Ouvia-se o rio. E grilos, também se ouvia o cantar dos grilos. Um longo suspiro anunciava a resposta dela, tal como a pouca vontade que tinha de discutir este assunto. "Pergunto-me o mesmo, sabes? O que é que elas têm que eu não tenho?" Os olhos cinzentos dela fitaram os olhos castanhos dele por breves instantes, antes de os redirecionar para o céu. "Sei lá. Acho que, por tua causa, espero demasiado dos homens. Depois de ti as expectativas ficaram demasiado elevadas, já te disse mais que uma vez que o problema não és tu e nunca foste tu. Sempre foste o namorado perfeito que qualquer uma deseja, mas tu também sabes que não sou qualquer uma. Tu sabes que só quero quem não me quer e quem não posso ter. Mas já nem me importo, sabes? Já aceitei que isto é o karma, e que o que ele me está a fazer - ainda que sem intenção - é o que eu te fiz. Mas vinte vezes pior. Mas o mau disto é que a minha autoestima já não existe, cheguei ao ponto de me comparar com as outras para tentar perceber o que tenho de errado e já chegou ao ponto de nem me conseguir olhar ao espelho, porque já não consigo gostar de nada em mim." Sorriu. "Neste momento, ninguém me odeia tanto como eu me odeio a mim mesma."

 

Sentiu os olhos embaciar e calou-se, na esperança de conseguir engolir o choro. Não que tivesse problemas em chorar em frente dele, já o tinha feito mais que uma vez e ele era claramente a única pessoa em todo o mundo com autorização para a ver no estado mais frágil. "O problema aqui não és tu. O problema sempre fui eu. E agora, três anos depois, voltei ao meu estado natural: deprimida e condenada a ficar sozinha para sempre. Porque ninguém consegue estar com alguém tão mentalmente desequilibrado como eu. Nem tu."

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1 crítica

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De umaraparigadesapatilhas a 07.03.2013 às 17:28

mais valia. anda aqui uma pessoa a trabalhar que se fode, já não basta a merda de horários que tem e ainda nos cortam os transportes, acho que sim. É uma maneira de obrigar as pessoas a usar os carros e a foder-se nos estacionamentos inexistentes do porto.

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